Não Podemos Forçar as Pessoas a Amarem Nossos Filhos

Crianças merecem respeito e todo amor do mundo.

E como estudiosa sobre a primeira infância trago comigo que este trato com os pequenos não é dever unicamente dos pais. É de toda uma tribo. No caso, de uma comunidade, de uma família próxima.

Não podemos forçar as pessoas a amarem nossos filhos. Amor não se pede, não se cobra. E aprendi isso só depois que tive meus filhos e que por algum tempo insistia que pessoas próximas deveriam demonstrar amor pelos meus queridos filhos.

Já ouvi um vez, no tempo em que eu ficava cobrando atenção para os meus filhos, a seguinte frase: “A responsabilidade é de vocês e não minha”. Ok, ninguém disse que eu não quero ser responsável e que quero jogar nos ombros dos outros a educação dos meus filhos. É uma questão de empatia. Um modo de crescer como pessoa através do contato com uma criança.

Crianças não querem seu dinheiro. Elas não querem nenhum bem material seu. E elas não merecem mendigar atenção. Elas querem um envolvimento verdadeiro. Precisam de pessoas que as tratem com respeito e dignidade. E vamos ser sinceros, você adulto também espera o mesmo do mundo. Também quer ser bem tratado e ter sus sentimentos levados a sério.

Crianças precisam do contato com pessoas além do seu círculo formado por pai e mãe. Nem sempre isso é possível. Vivemos em uma sociedade moderna em que as famílias a cada dia que passa são menores e moram mais distantes.

Aqui em casa, uma das avós morreu há três anos.  Não temos avós presentes, pois moram muito longe. Meu irmão também mora em outra cidade. Os tios daqui trabalham sempre que podem estão presentes, mas cidade grande, você sabe como é? Não dá para ver a todo momento. E assim, nossos pequenos acabam perdendo algo muito mágico que é conviver com outras pessoas da família.

Mas até então meus filhos nunca tinham sentido falta dessas relações familiares. Até que a mais velha com 6 anos começou a entender as coisas. Tem juntado os pontos. E de uns tempos para cá ela diz “Sinto muita falta de ter vô e vó”! E isso corta o coração! Ok, algumas pessoas podem me dizer “Ah, mas criança tem que entender que se não tem, não tem”. Mas sou daquelas mães que queria que ela não sofresse por algo assim. Queria de verdade morar mais perto da minha família para poder dar aos meus filhos a oportunidade de conviver com os primos e com os avós.

Vou ser sincera que parei de escrever textos tocando neste assunto, pois sei que sempre uma ou outra pessoa lê e acha que estou criticando ela em específico. Mas que fique claro, estou relatando como é a nossa realidade.

Outro dia, desabafei com uma senhora que eu conheci em um evento. E no meio da conversa ela me emocionou com sua atitude “Eu vou ser vó dos seus filhos”.  Eu achei bonito e falei “eu aceito”. E ela imediatamente me deu seu cartão e frisou “eu estou falando sério”.

Ah, eu realmente me emocionei e me senti tocada pelo gesto daquela mulher. Alguém que entende a importância da figura de uma avó na vida de uma criança. Alguém que entende que se uma mãe e um pai podem contar com uma rede de apoio, a vida de toda essa família vai ser mais equilibrada e feliz.

Ter senhoras que entendem como uma avó faz diferença na vida de uma criança enche meu coração com esperança: nosso mundo ainda tem pessoas que entendem a importância de se dar amor para uma criança

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