Meu Filho Não Come – “Deixe Seu Filho Em Paz” diz Carlos González

No mês de novembro participei a convite da Revista Crescer do Encontros Crescer com o Dr. Carlos González. 

O pediatra catalão é um dos maiores nomes da pediatria mundial. É conhecido por ter uma visão mais afetiva sobre a educação das crianças. Sua linha de pensamento é conhecida como Criação com Apego.

O tema central da palestra do Dr. Carlos González no Encontros da Crescer era sobre a alimentação do bebê. As palavras do médico podem parecer bem estranhas para nossa cultura acostumada com a regra de que bebês e crianças precisam comer tudo custe o que custar.

Toda mãe sabe que o processo de introdução alimentar de um bebê é geralmente muito difícil. Requer da mãe ou da pessoa que toma conta do bebê muita paciência e mais paciência ainda. A criança vai aos poucos tomando contato com a alimentação e assim descobrindo novos sabores e demonstrando interesse mais por um ou por outro alimento. 

O problema é quando o bebê não curte comer nada! Quando não está afim de comer o tal purê de batatas ou o caldo de feijão. Você tenta uma sopinha, um arroz, uma salada e nada atraí a vontade do bebê em comer. Ele só quer saber de mamar. Ele só quer comer um tipo de alimento. 

comida do bebê

E nós mães quase morremos de preocupações! Ficamos frustradas. Passamos horas do nosso dia pensando em novas receitas, procurando a causa para explicar o motivo do nosso pequeno filho não comer.

Para o Dr. Carlos Gonzalez nós, os pais, devemos deixar as crianças em PAZ. “As principais preocupações que escuto das mães, seja aqui no Brasil ou na Espanha, são: ‘Meu filho não dorme’ e ‘Meu filho não come’. Sempre digo a mesma coisa: para deixarem as crianças em paz. Dormir e comer são necessidades básicas do ser humano e, se os pais deixarem os filhos em paz, eles certamente farão isso. Uma pessoa que não dorme ou que não come, morre. Alguém que não dorme morre antes de alguém que não come, inclusive. São as duas únicas coisas que temos certeza que um bebê vai fazer”, explicou o pediatra catalão.

Houve uma época em que eu queria que Raquel comesse a todo custo. E olha que ela sempre comeu super bem. Mas havia alguns tipos de alimentos que ela não curtia. Alguns dias ela não estava com tanta fome. Com o tempo fui notando que ela era como eu: alguns dias não estava com vontade daquele alimento ou simplesmente não tinha fome. Parei de forçar. E para mim, tudo estava ok. 

Mas minha sogra achava um absurdo  ela não querer comer. E várias vezes tivemos algumas discussões em que eu defendia de que Raquel não estava afim. Eu não iria forçar minha filha a comer. Eu super entendo o lado preocupado da avó, mas nem por isso aceitava a opinião dela.

Comer precisa ser um ato de prazer. É fundamental que desde cedo a criança tenha essa percepção sobre o ato de comer. Segundo o Dr. Carlos Gonzalez “Os pais tem ideias absurdas. Todas as crianças comem o que necessitam, se houver comida, exceto se estiverem doentes”. A criança vai se alimentar, desde que o ambiente onde ela vive possua comida saudável e de qualidade. 

Acredito no ditado que diz que a criança vai se basear muito no exemplo dos pais. Se você pai e mãe come alimentos de qualidade e saudáveis, essa criança não vai ter outra opção a não ser se alimentar da mesma forma. 

Muitos pais reclamam que as crianças só querem comer besteiras. Mas devemos ser críticos e pensar: de onde vem as besteiras que temos dentro de casa? Nós mesmos sabotamos a alimentação saudável dos nossos filhos. Lutamos para que eles comam arroz, feijão e um prato todo colorido e no entanto temos biscoitos recheados e balas no armário. É óbvio que nossos filhos vão optar por coisas que parecem mais gostosas. 

alimentação do bebê

O principal aliado de uma mãe na introdução alimentar é a calma. Sim, você vai precisar contar até mil, respirar novamente e oferecer a tal cenoura centenas de vezes. Samuel meu segundo filho, não queria saber de comer nada. Foram alguns meses insistindo para ele comer algumas colheradas. Chegou um determinado momento que parei de forçar a situação. E aos poucos ele foi demonstrando interesse mais por um ou outro alimento. Hoje ele mesmo abre a geladeira e pede “papá, arroz, macarrão”. 

Demorei para escrever este post pois fiquei digerindo as palavras do Dr. Carlos González. Nós realmente nos preocupamos demais! Nós queremos que as crianças entrem no nosso ritmo, que façam as coisas no nosso tempo. Nossos filhos estão descobrindo o mundo e a variedade enorme de alimentos que existem nele. 

Precisamos ter calma! Precisamos respirar e deixar nossos filhos em paz!

Comentários

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Comentários (4)

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  1. Kesiane disse:

    Minha filha não gosto de comer nada frutas ou comidas salgadas

  2. Bruna Mariuzza disse:

    Minha filha fez um ano faz uma semana e não come quase nada, come apenas algumas colheradas. Mas depois de ler esse texto, vou tentar deixá-la em paz!
    Esse texto me ajudou muito a entender o porque eles não comem. Cada bebê no seu ritmo e como o doutor disse: -Nenhuma criança morre de fome!
    Precisamos de paciência para seguirmos o ritmo de nossos filhos.
    Obrigada.

  3. Renata disse:

    Meu filho tem 15 meses e não quer saber de nenhum tipo de comida, não quer nem experimentar e vira o rosto, já tentei BLW e purê a partir de quantos meses eles começam a se interessar? Devo cortar o leite?

    • Kely Varela disse:

      Olá Renata,
      Vai depender muito de criança para criança. Minha filha mais velha que tem 5 anos, come de tudo desde os 6 meses. Já Samuel, é uma luta!!!Ele não quer saber de comer nada!
      Converse melhor co o pediatra do seu filho sobre o leite!

      O que tenho a te dizer de coração é: tenha muita paciência!

      Beijos
      Kely

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