Criança que Faz Birra – Dizer Não é Difícil e Fundamental

De um mês para cá, a mãe com filho que resolveu fazer birra no meio da rua, sou eu!

Sim, do nada Samuel, na fase dos três anos e pouco, resolveu fazer umas ceninhas de birra. Fez duas vezes no mercado quando eu disse que não iria dar algo que ele queria… fez outro dia na rua, quando eu disse que não poderia dar colo naquele momento… fez umas vezes em casa quando eu disse NÃO para alguma coisa.

O fato é que quando acontece com a gente, ficamos meio perplexas e perdidas. E agora, fazemos o que com todo mundo nos observando?

Em casa a situação é muio mais simples: Você explica que não pode e deixa ele chorar por alguns minutos. Naturalmente, com um pouco de conversa olho no olho, ele vai se acalmando e para de fazer a birra. Na rua a coisa muda um pouco de figura.

Confesso que eu, mesmo já tendo estudado muito sobre o assunto, fico meio inibida em uma situação como essa. Da última vez no mercado, eu me abaixei pertinho dele e falei firme “Mamãe não tem dinheiro para levar esse hoje! O que você está fazendo não é legal.”

Ele simplesmente não deu bola e continuou chorando, sentado no chão. Eu peguei mais uma ou duas coisas que precisava perto dele enquanto ele ainda chorava. Nisso alguém chegou perto e disse “Tadinho, está chorando!” E eu já fui respondendo “Sim, ele quer algo que a mamãe não pode levar hoje”.

faz birra

De novo me abaixei e pedi a ajuda dele para passar as compras no caixa e ele levantou meio chorando, me deu um abraço e foi correndo me ajudar no caixa. Sim, isso depois de uns 10 minutos de birra. Preciso ressaltar que eu estava em um mercado de bairro ao lado de casa. Um local que todo mundo conhece a gente. Mesmo ele chorando e fazendo cena, eu me sinto um pouco menos constrangida do que em um lugar que ninguém nos conhece.

E eis que ontem, eu estava cheia de sacolas e precisava andar umas 6 quadras com Samuel e um monte de coisas na mão. Fui enrolando ele. Ele me pedia colo e eu dizia “anda só mais um pouquinho que mamãe já pega”. Ele ia meio reclamando e logo empacava. Sentava e não queria sair do chão chorando. Eu conversava e dizia que poderia dar só um pouquinho de colo e assim fazia. Quando soltava ele no chão, era a mesma história novamente.

Mas em um desses momentos ele chorou muito. E eu sabia que realmente ele estava cansado. Que queria só um colinho de mãe. Mas eu também não estava conseguindo carregar ele e aquele monte de sacolas e então disse que ele teria que caminhar mais um pouco. E então, um senhor perguntou o motivo do choro. Samuel percebeu que tinha plateia e não me deu mais ouvidos. Chorou e não saiu do lugar. Não adiantou conversa. Pedi. Expliquei. Tentei brincar e nada!

E o senhor continuava falando “tadinho, só quer colo”! Ah, eu sabia disso, até eu queria!

Peguei ele nas costas e andei mais uma quadra. E de novo inventei uma brincadeira qualquer para ver quem iria chegar primeiro e ele correu mais um pedaço. Isso foi o que me ajudou a completar o meu caminho.

Em casa, cada vez que ele se jogava no chão, eu ficava na mesma altura dele, pedia para ele olhar nos meus olhos e falava “Não é bonito se jogar no chão, levante agora” e o levantava. Deve ter feito isso umas 10 vezes e eu sempre repetindo a mesma coisa. Resultado: não se jogou mais em casa. Agora até chora, mas não se joga no chão.

Crianças geralmente fazem birra em situações extremas de cansaço, dor, frustração. Elas ainda não entendem que esse tipo de comportamento é inadequado. Cabe a nós, pais, mostrarmos que essas ações não vão fazer com que elas consigam resolver seus problemas ou trazer algum benefício.

Precisam entender que vão ter que encarar a realidade e que e alguns momentos a vida pode ser realmente frustrante.

Confesso que como mãe, muitas vezes dá vontade de ceder e fazer os desejos do filho ou pegar no colo e mimar um monte. Mas tenho consciência que dizer NÃO faz parte do processo de aprendizado e lá na frente vai fazer muita diferença na vida dos meus filhos!

Ele é mesmo seu filho? Tem Certeza?

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